(…) "o fantástico é, simplesmente, a indicação súbita que, à margem das leis aristotélicas e da nossa mente racional, existem mecanismos perfeitamente válidos, vigentes, que nosso cérebro lógico não capta, mas que em certos momentos irrompem e se fazem sentir."

Julio Cortázar

Onde está a fantasia, o horror e a ficção científica na literatura brasileira? À primeira vista, pode parecer que não temos uma tradição literária nestes gêneros, mas isto não é totalmente verdade. Aos menos para os autores desta coletânea. Pois o Ficção de Polpa é um esforço coletivo cuja intenção é, justamente, promover e estimular a produção de uma literatura especulativa de primeira grandeza.

Tendo como o mote a homenagem às revistas pulp, literatura "barata" do início do século XX que serviu de escola para autores como H.P. Lovecraft, Ray Bradbury, Isaac Asimov, Raymond Chandler, Elmore Leonard, entre outros, cada um dos 16 autores de Ficção de Polpa buscou suas próprias referências literárias, compondo um amplo painel de estilos e temas: serial killers, crimes hediondos, delírios domésticos, sonhos que se transformam em pesadelos e pesadelos que se fundem à realidade, partes do corpo que se rebelam contra seus donos, animais monstruosos e mutações genéticas, mortos-vivos e invasões alienígenas. Junte a isto contos onde o horror acontece de maneira mais sutil, explorando a estranheza do cotidiano e temos uma grande diversidade de abordagens para o fantástico.

Se isto tudo não fosse o bastante, Ficção de Polpa ainda apresenta a tradução nova de um conto pulp clássico e o making-of da ilustração da capa. Nesta primeira edição, o destaque é o conto O Cão de Caça, de H.P. Lovecraft.

Quando o mundo se revela maior do que imaginávamos, quando nossos medos de tornam realidade, quando temos a sensação de sermos insignificantes na vastidão e nos mistérios do universo e ao mesmo tempo, sermos o centro dele. A pretensão de Ficção de Polpa é dar a você, leitor, estas sensações.

 
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